Dias com temperaturas elevadas causam não só desconforto geral, mas também riscos para a saúde. Um dos principais riscos é a desidratação. Muitas vezes, recorre-se às bebidas alcoólicas como forma de aliviar a sensação de mal-estar causada pelo calor. Contudo, esta prática pode ser contraproducente, já que o álcool aumenta o risco de desidratação neste contexto. Porque é que isto acontece?
Porque é que o risco de desidratação por consumo de álcool é maior nos dias quentes?
O álcool é um diurético. “Isto significa que, quando se consome álcool, o corpo elimina mais líquidos do que quando se consomem bebidas não alcoólicas”, explica-se num texto da Alcohol and Drug Foundation (ADF).
Além de os dias quentes, por si só, provocarem “a perda de líquidos através da transpiração”, o álcool também “causa perda de líquidos através do aumento da urinação”, refere-se no site do National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism (NIAAA).
Assim, o consumo de álcool em dias com temperaturas elevadas pode “levar rapidamente à desidratação ou a uma insolação”.
“A desidratação ocorre quando uma pessoa não bebe água em quantidade suficiente para repor os fluidos perdidos pelo organismo através do mecanismo normal da transpiração ou em caso de vómitos e diarreia”, explica-se num texto do INEM.
Os sintomas da desidratação “começam a surgir quando o organismo perde apenas 1% dos seus fluidos” e consistem, sobretudo, em: cansaço invulgar, tonturas, sede, dor de cabeça e boca, lábios e olhos secos.
Se a vítima estiver consciente, é importante dar-lhe água, em pequenos goles, “de forma compassada, mas repetida e persistente”, bem como aconselhá-la a descansar num sítio abrigado do calor.
Trata-se de uma emergência médica se a pessoa “ficar inconsciente ou tiver alguma convulsão”. Nesse caso, deve-se ligar de imediato para o 112.
Por outro lado, “a insolação é uma situação que ocorre em consequência da exposição prolongada ao calor, mas em que os mecanismos habituais que o organismo tem para arrefecer o corpo falham, constituindo uma emergência médica”, esclarece-se noutro texto do INEM.
Os sintomas comuns de uma insolação são: “dores de cabeça intensas”; “a vítima sente-se muito quente, mas não consegue transpirar”; “pele muito seca e quente”; “temperatura corporal acima dos 40ºC”; “a respiração pode estar rápida e o pulso parecerá forte”; e “a vítima fica confusa e pode perder rapidamente a consciência”.
Perante uma insolação deve-se ligar imediatamente para o 112. Enquanto se aguarda pela assistência médica, é importante levar a vítima para um local fresco e refrescá-la.
Assim sendo, em dias quentes, a recomendação geral é que se evite o álcool, sobretudo devido ao risco de insolação e/ou desidratação.
Se, mesmo assim, optar por consumir álcool, “alterne entre bebidas alcoólicas e água”, aconselha-se num texto da organização britânica Alcohol Change UK.
Este método “diminui o ritmo do consumo de álcool e mantém-nos hidratados com os líquidos necessários para evitar o duplo golpe da desidratação causada pelo álcool e pelo calor”, lê-se no mesmo texto.
Quais os outros cuidados a ter em dias quentes?
Além de evitar o consumo de bebidas alcoólicas, a Direção-Geral da Saúde (DGS), recomenda que beba água, “mesmo quando não tem sede” e evite bebidas com cafeína.
Também é importante que “permaneça em ambientes frescos ou climatizados, com sombras e circulação de ar”, e que “mantenha as janelas, persianas e estores fechados nos períodos de maior calor, ou em zonas com risco de poeiras dos incêndios”.
Deve evitar a exposição direta ao sol, “principalmente entre as 11 e as 17 horas”, sendo fundamental utilizar “protetor solar com fator igual ou superior a 30” e renovar a “aplicação de 2 em 2 horas, inclusive após banhos na praia ou piscina”.
A utilização de “roupas claras, leves e largas, que cubram a maior parte do corpo, chapéu e óculos de sol com proteção ultravioleta” também é recomendada pela DGS.
Em dias de muito calor é importante evitar “atividades no exterior que exijam grandes esforços físicos, nomeadamente, desportivas e de lazer”.
Caso o trabalho não permita evitar a exposição ao sol e ao calor, aconselha-se utilizar “fardamento que cubra a maior área de superfície corporal, incluindo um chapéu”, manter a ingestão regular de água ao longo do dia e permanecer em locais frescos nos períodos de pausa.
Estes cuidados são especialmente importantes para “grupos mais vulneráveis ao calor, tais como crianças, pessoas idosas, doentes crónicos, grávidas, trabalhadores com atividades no exterior”.
A apresentação de sinais de alerta relacionados com a exposição ao sol e ao calor, como “suores intensos, febre, vómitos/náuseas ou pulsação acelerada/fraca”, deve-se contactar o SNS 24 através do número 808 24 24 24 ou ligar para o 112.

