Quando pensa nas férias na praia, é provável que associe estes dias a uma sensação de descanso, bem-estar e saúde. E se é verdade que os momentos perto do mar e longe das obrigações do dia a dia fazem bem ao corpo e à alma, há alguns comportamentos que podem perturbar este estado de espírito. Eis cinco erros que podem pôr a sua saúde em risco (e algumas recomendações sobre como evitá-los).
1 – Fugir da sombra e do protetor solar
Tomar longos “banhos de sol”, incluindo nas horas de maior calor, para ficar com a pele bronzeada é, para muitas pessoas, um hábito quase tão antigo como as rochas que formam a areia da praia, mas nem todas as tradições fazem bem à saúde. E, tal como se explica neste artigo do Viral, uma pele bronzeada não é mais saudável.
Além do aumento do risco de queimaduras e de cancro da pele, passar o dia a “torrar” ao sol pode provocar uma insolação (golpe de calor), uma emergência médica que pode causar tonturas, náuseas, confusão e, em casos graves, perda de consciência.
Para evitar estes problemas, o ideal é preferir a sombra, sobretudo nas horas de maior incidência dos raios ultravioleta, reaplicar protetor solar com frequência e utilizar roupa fresca e que cubra as áreas mais expostas, chapéu e óculos de sol.
No caso de ter de prestar auxílio a alguém que sofreu um golpe de calor, o INEM (Instituto Nacional de Emergência Médica) recomenda que “ligue imediatamente para o 112”.
Deve também levar a vítima para um local fresco, sentá-la ou deitá-la e despi-la, bem como refrescá-la, “passando água à temperatura ambiente por todo o corpo”.
É também aconselhado verificar a temperatura da vítima, “procurando que esta desça, pelo menos, para os 38 ºC” e monitorizar “o estado da vítima até as equipas de emergência chegarem”. Se a temperatura voltar a subir, deve repetir “o mesmo processo de arrefecimento”.
2 – Beber pouca água (e muitas bebidas alcoólicas)
Quando as temperaturas sobem e a boca começa a ficar seca, é preciso ceder à tentação de matar a sede só com cerveja e caipirinhas, porque a ingestão de bebidas alcoólicas aumenta o risco de desidratação.
A desidratação acontece quando o corpo perde mais líquidos do que a pessoa consegue repor, seja pela transpiração normal, seja em casos de vómitos e diarreia. Se ao calor intenso, que aumenta a transpiração, juntarmos o consumo de bebidas alcoólicas – que são diuréticas e aceleram a perda de líquidos do organismo -, criamos um cocktail perigoso para a saúde.
Por isso mesmo, a água deve ser a bebida preferencial nos dias de calor. Se tem dificuldade em beber água por não gostar do sabor, há algumas estratégias para tornar o hábito mais apelativo. O nutricionista Rafael Loureiro recomenda “aromatizar a água” com algo que acrescente sabor, como, por exemplo, “especiarias, folhas de hortelã, raspas de limão ou frutos vermelhos congelados”.
Pela mesma razão, também pode ser útil optar por infusões e chás frios. Neste caso, é importante não adicionar açúcar e ter atenção às doses, sobretudo aos chás com cafeína, como o chá verde e o chá preto.
3 – Levar alimentos sensíveis ao calor na lancheira
Quer seja da equipa dos que levam uma pequena lancheira com uma sandes e uma peça de fruta, quer seja dos que carregam uma geleira com comida suficiente para alimentar metade do areal, é fundamental saber escolher os alimentos que entram no farnel.
Alimentos sensíveis ao calor ou que precisam de refrigeração constante devem ficar em casa. Pratos com maionese, ovos crus, marisco, laticínios frescos e sobremesas com natas, por exemplo, deterioram-se mais facilmente quando estão expostos a temperaturas elevadas, o que aumenta o risco de intoxicação alimentar.
Os acumuladores de gelo podem atrasar ligeiramente a subida da temperatura dentro da lancheira, mas, tal como a especialista em segurança alimentar Isabel Ratão explicou neste artigo, não são suficientes para garantir a segurança dos alimentos durante muito tempo, sobretudo quando está calor.
Durante o inverno, as merendas “transportadas nas lancheiras, com um pequeno acumulador de gelo”, até podem conseguir aguentar “quase o dia todo”. Já no verão, “o gelo derrete muito rapidamente, subindo a temperatura dentro da lancheira e permitindo que os alimentos se comecem a degradar muito rapidamente devido ao acelerado crescimento dos microrganismos”.
4 – Nadar quando a bandeira está amarela ou vermelha
É impossível eliminar completamente o risco de afogamento, mas ignorar as indicações dos nadadores-salvadores e das bandeiras da praia aumenta significativamente esse risco.
Ir à praia com segurança implica conhecer o código de cor das bandeiras. A verde indica que “é permitido tomar banho e nadar” e amarela que “é proibido nadar”. Já a vermelha significa que “é proibido entrar na água”.
Se, por outro lado, vir uma bandeira axadrezada, saiba que se encontra numa “praia temporariamente sem vigilância”.
Para prevenir afogamentos, deve também “frequentar praias vigiadas”, “cumprir as regras de segurança na praia e nas piscinas”, e, antes de mergulhar “verificar a profundidade da água e se existem rochas ou obstáculos que possam causar traumatismo em caso de mergulho”, recomenda-se na página do SNS 24.
5 – Urinar para a picada do peixe-aranha (ou lavar a da caravela-portuguesa com água doce)
Uma picada de peixe-aranha ou uma queimadura provocada por uma caravela-portuguesa podem transformar um dia de praia numa experiência dolorosa. E, nestas situações, há dois erros comuns que podem piorar a situação.
O primeiro é a ideia de que se deve urinar sobre a picada do peixe-aranha. Esse mito nasce do facto de o calor aliviar a dor provocada pela picada. No entanto, a temperatura da urina não é suficiente para inativar as toxinas.
Neste artigo do Viral, Ricardo Dinis-Oliveira, professor na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e no Instituto Universitário de Ciências da Saúde (CESPU), explicou que a urina sai do corpo a uma temperatura média de 36ºC/37ºC, mas arrefece assim que entra em contacto com o exterior, chegando à zona da picada já com uma temperatura inferior à necessária para agir sobre o veneno.
Na maior parte dos casos, a medida recomendada é a imersão em água quente (39ºC-45ºC) entre 20 e 90 minutos.
Quanto à caravela portuguesa, um dos erros mais frequentes é lavar a queimadura com água doce. Ricardo Dinis-Oliveira defendeu que esta prática “é contraproducente”, porque a água doce tende a criar “uma diferença osmótica (diferença de pressão entre os dois lados) face ao interior dos tentáculos e potencia a passagem do veneno”.
A recomendação é lavar a zona afetada com água do mar e retirar eventuais tentáculos com uma pinça, sem lhes tocar diretamente com as mãos.

