Os incêndios florestais têm marcado a atualidade nacional nas últimas semanas. Os dados disponíveis mostram que, este ano, até 31 de julho registaram-se 5755 incêndios rurais, que resultaram em mais de 53 mil hectares de área ardida. As partículas e outros poluentes presentes no fumo de incêndios podem afetar a saúde de qualquer pessoa, com particular impacto nos sistemas respiratório e cardiovascular. Quem corre maior risco de sofrer complicações?
Quem corre mais riscos por exposição ao fumo de incêndios?
Todas as pessoas podem ser afetadas pela exposição ao fumo de incêndios. Segundo um guia explicativo publicado no balcão digital do Serviço Nacional de Saúde (SNS 24), a dimensão do risco depende de três fatores principais: “o nível e a duração da exposição”; “a idade da pessoa”; e “a suscetibilidade individual”.
Os grupos que correm um maior risco de desenvolver complicações pela inalação de fumo são, sobretudo, os idosos, as crianças, as grávidas e as “pessoas com história de doenças cardiovasculares ou respiratórias, como a asma ou a doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC)”, sublinha-se no mesmo texto.
A irritação dos olhos, do nariz e da garganta, bem como o aumento das secreções e a tosse persistente são sintomas comuns da exposição ao fumo de incêndios.
Pode, ainda, verificar-se uma “inflamação e estreitamento das vias respiratórias”, o surgimento de “doenças respiratórias (como a bronquite)” e um “agravamento de doenças do coração e respiratórias” (ver também aqui e aqui).
Em casos mais graves, podem ocorrer “alterações do estado de consciência (fraqueza, sonolência, desmaio)”. A inalação de fumo pode mesmo “destruir células das vias respiratórias” e, em casos extremos, “afetar os níveis de oxigénio no sangue e causar insuficiência respiratória”, explica-se no site do SNS 24.
Estas complicações podem acontecer, porque o fumo de incêndios é composto por várias substâncias tóxicas para a saúde.
Num texto publicado no site do INEM explica-se que “a composição do fumo é dependente, igualmente, do tipo de combustível, teor de humidade, temperatura e duração da combustão, condições de vento ou outros fatores climáticos”.
No caso de incêndios florestais, o fumo é, de modo geral, uma mistura de dióxido de carbono, vapor de água, monóxido de carbono, partículas sólidas e gotículas líquidas suspensas no ar, hidrocarbonetos e outros produtos químicos orgânicos, óxidos de azoto, acroleína, formaldeído e minerais.
Os altos níveis de partículas e toxinas “podem causar lesões a nível respiratório, cardiovascular e oftalmológico, entre outros”.
As partículas suspensas são os principais poluentes no contexto de incêndios florestais, cujo impacto direto na saúde depende da dimensão das mesmas.
Algumas só irritam os olhos, o nariz e a garganta, outras podem “podem ser inaladas profundamente e afetar os pulmões”, sendo que “altas concentrações destas partículas levam a tosse persistente, aumento da mucosidade e dificuldade respiratória”, refere-se no mesmo texto.
Em pessoas saudáveis, podem surgir sintomas respiratórios com necessidade de tratamento e em indivíduos com doença respiratória crónica, “a exposição a fumo resultante de incêndios, pode levar ao agravamento do estado de saúde”.
No que diz respeito ao monóxido de carbono, a concentração deste gás “só tem efeitos nocivos para a saúde para quem estiver próximo da linha de fogo”.
A exposição pode resultar em “cefaleias, sensação de falta de ar, alterações visuais, irritabilidade, náuseas e fadiga”, para concentrações abaixo dos 40%. Concentrações entre os 40 e 60% podem causar “confusão, alucinações, ataxia e coma” e teores acima dos 60% podem levar à morte.
Outras substâncias que importa ter em conta são o formaldeído e a acroleína, “duas das principais causas da irritação ocular e respiratória” e da “potencial exacerbação da asma”.
Quais os cuidados específicos a ter?
Antes de mais, é necessário evitar ao máximo a exposição ao fumo de incêndios. Quem vive numa zona de risco elevado de incêndio ou faz parte de um grupo vulnerável deve “ter alguns produtos em stock” – como “alimentos que não precisem de refrigeração”, a “medicação habitual” e algumas “máscaras de proteção N95” – para “evitar saídas desnecessárias”, recomenda-se no guia do SNS 24
Além disso, é importante “garantir um bom isolamento das portas e janelas de acesso ao exterior”. O SNS 24 aconselha ainda que, “caso tenha ar condicionado, garanta um ambiente fresco, de preferência com modo de recirculação de ar” dentro da habitação.
Outra medida preventiva a adotar é “definir um plano de evacuação em caso de agravamento da situação e partilhá-lo com as pessoas com quem vive”.
Ao mesmo tempo, deve manter-se “atento aos meios de comunicação e informar-se das notícias locais”.
É também recomendado “evitar a utilização de fontes de combustão dentro de casa, tais como, aparelhos a gás ou lenha, tabaco, velas e incenso”.
Pessoas com doenças crónicas específicas, como asma, diabetes, DPOC ou doença cardíaca devem estar atentas a quaisquer sintomas desencadeados, ou agravados, pela exposição ao fumo de incêndios.
Num texto dos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla inglesa), aconselha-se que, em caso de doença cardíaca, “considere a possibilidade de evacuar se tiver dificuldade em respirar ou outros sintomas que não melhorem”.
Em caso de “palpitações, cansaço invulgar, falta de ar ou outros sintomas de um ataque cardíaco”, deve contactar um médico.
Caso precise de informações gerais, deve ligar para o SNS 24 (808 24 24 24). Se precisar de esclarecimentos no caso de intoxicação, deve ligar para o CIAV – Centro de Informação Antivenenos (800 250 250). Em caso de emergência, o número a contactar é o do INEM (112).

