O interior e o Alentejo registam concentrações elevadas de pólenes, enquanto as grandes cidades apresentam níveis de poluição atmosférica que agravam os sintomas das alergias respiratórias, alerta o médico imunoalergologista Mário Morais de Almeida. O especialista é um dos oradores da TEDxLisboa 2026, que propõe uma reflexão sobre as forças invisíveis que moldam a vida humana.
Em Portugal, não existem regiões “proibidas” para pessoas alérgicas, mas algumas zonas apresentam características mais problemáticas. O interior do país e o Alentejo registam concentrações elevadas de pólenes de gramíneas e oliveira.
Já nas grandes cidades, a poluição atmosférica agrava os sintomas das doenças respiratórias.
As zonas húmidas e litorais favorecem a presença de ácaros e fungos, principais fatores responsáveis pelas alergias respiratórias. Ainda assim, segundo o especialista, o mais importante é conhecer o perfil alérgico de cada pessoa e adaptar as estratégias de prevenção.
Quais são as alergias mais comuns?
Nesta altura do ano predominam as alergias aos pólenes das gramíneas, da oliveira e da erva parietária. Em pessoas sensibilizadas, mesmo pequenas quantidades de pólen podem desencadear sintomas significativos.
Nas últimas décadas, além do aumento do número de casos, as doenças alérgicas tornaram-se mais persistentes, complexas e graves.
A renite alérgica e a asma, são as doenças respiratórias mais comuns e estão associadas à exposição diária a pólenes, ácaros, fungos, partículas de poluição e outros fatores ambientais invisíveis.
Além das alergias respiratórias, as doenças alérgicas mais frequentes ao longo do ano incluem dermatite atópica, alergia alimentar, urticária e alergia medicamentosa.
Como reduzir os sintomas das alergias respiratórias
Os sintomas mais comuns são espirros, nariz entupido ou com corrimento, comichão nasal, olhos vermelhos e lacrimejantes, tosse, pieira, dificuldade respiratória e em alguns casos fadiga e irritabilidade.
As crianças pequenas, os idosos, os asmáticos e as pessoas com doença respiratória crónica integram os grupos mais vulneráveis aos efeitos combinados dos alergénios e da poluição atmosférica.
Para reduzir os sintomas, o especialista recomenda:
- evitar atividades ao ar livre nas horas de maior concentração polínica
- manter as janelas fechadas em dias críticos
- usar óculos de sol no exterior
- lavar o cabelo ao final do dia
- acompanhar o boletim da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia clínica
Tratamentos recomendados
Mário Morais de Almeida sublinha que o tratamento das alergias ao pólen, os anti-histamínicos não sedativos e os corticosteróides nasais são as soluções mais eficazes para controlar os sintomas nasais e oculares. Para controlar a asma, os corticóides inalados e os broncadilatadores são essenciais.
Em situações mais graves a imunoterapia com alergénios, conhecidas como “vacinas anti-alérgicas”, pode reduzir os sintomas e modificar a evolução natural da doença.
TEDxLisboa 2026 debate o “Mundo Imaterial”
Na intervenção na TEDxLisboa 2026, a 19 de maio, Mário Morais de Almeida, médico imunoalergologista e presidente da World Allergy Organization, pretende explorar a forma como o invisível influencia a saúde.
A edição deste ano do evento propõe uma reflexão sobre o tema “Immaterial World” (“Mundo Imaterial”) e sobre as forças invisíveis que moldam a vida humana.
De: https://sapo.pt

